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Mídia, Teologia e Juventudes
Natália Nunes Castanheira

##manager.scheduler.building##: Prédio C
##manager.scheduler.room##: Sala 3
Data: 2016-09-15 05:00  – 05:15
Última alteração: 2016-11-10

Resumo


De acordo com estudos de Oneide Bobsin, o chamado fenômeno da religião vivida faz parte do processo de desregulação religiosa. O sagrado, em forma de mito e de rito, encontra expressões fora da esfera religiosa institucional e tradicional. A religião vivida aponta, pois, para a manifestação do religioso na esfera dita “profana”, ou seja, fora da instituição religiosa, fora da igreja. Mais do que sincretismo, se diluem as próprias fronteiras entre sagrado e profano. Parece que a religião migrou para esfera da cultura popular e para o cotidiano da vida (P. Tillich). Talvez sempre tenha estado lá, mas a teologia não se ocupava dessas expressões. Esta religião vivida no cotidiano está presente na literatura, no cinema, nos heróis das histórias em quadrinhos, na moda e em tendências de comportamento, na música, no marketing e, por consequência, intensamente relacionada às mais diferentes mídias. Enquanto a ideia de comunidade eclesial atrai cada vez menos pessoas, milhares de comunidades com interesse religioso surgem a cada segundo nos mais diferentes espaços virtuais. Cultos de novas igrejas assumem elementos midiáticos e da cultura pop. A cultura juvenil está atravessada por esta religião fora da religião (de acordo com Jorge Cláudio Ribeiro em Religiosidade jovem: pesquisa entre universitários). Os jovens e adolescentes têm sido, em especial, os mais resistentes a uma participação mais ativa no universo da religião-institucional, mas, paradoxalmente, são eles os que mais protagonizam esta religião e este culto fora da Igreja, principalmente nos espaços da cultura pop, da mídia e do entretenimento. É necessário analisar como adolescentes e jovens entendem e vivem aspectos da cultura e da religião hoje. Este projeto pretende, portanto, por um lado, estudar a relação entre mídia, religião e teologia e em que medida esta relação e seus dispositivos desencadeiam novas formas e possibilidades para a própria teologia. Por outro lado, pretende-se dar continuidade na avaliação do impacto dessa religião das mídias sobre e a partir da juventude.

A metodologia de pesquisa se deu, primeiramente, por meio de pesquisa bibliográfica e estudo interdisciplinar, construindo um sólido referencial teórico para, num segundo momento, realizar a observação e análise de materiais empíricos da cultura pop e midiática (propagandas, filmes, novelas, músicas, sites da internet, etc). A partir deste material, elaborou-se um questionário, jovens foram entrevistados e os resultados colhidos, bem como o material teórico pesquisado, estão em fase de conclusão.

O questionário elaborado tem como primeiro objetivo conhecer melhor a juventude de hoje (saber no que creem, no que investem mais seu tempo, o que esperam, o que desejam, quais suas críticas relativas ao modelo atual de igreja) para, posteriormente, conseguir chegar a uma teologia que fale com, para e a partir dos jovens. Os primeiros resultados apontam para uma juventude muito ocupada, preocupada com o futuro profissional, que acredita em Deus, que quer ser atuante e protagonista, mas que não se identifica com a abordagem da igreja, que percebe certo descaso com os jovens quando as atividades e os espaços para eles são improvisados, etc. Apropriando o conhecimento de Hilário Dick: no jovem está a novidade, o Evangelho. Nossa teologia, no entanto, é adulta e só consegue gaguejar ao falar dos jovens, com e para eles/as. Tem dificuldade de dar-lhes a palavra teológica. Colocamos “vinho novo em odres velhos” (Mt 9.17). É tempo de rejuvenescer nossa teologia e a própria Igreja a partir dos jovens.